sexta-feira, 14 de agosto de 2020

COMENTÁRIOS - CAPÍTULO 5, "A CRIADA MUITO BEM PAGA"

 Bom dia, querid@s!

Como vocês estão? Espero que bem: vocês e suas famílias!

Seguem, abaixo, os comentários sobre as questões de leitura propostas acerca do capítulo 5, que trata da figura de Maria, a empregada da casa. Como vocês devem ter percebido, tal personagem é muito importante para conhecermos um pouco mais sobre as relações sociais da época, baseadas em hierarquias e opressões - algo não muito diferente do que ainda ocorre hoje, não é mesmo?

Vamos lá!


1 - A ironia é uma figura de linguagem, isto é, uma imagem que se cria por meio de um jogo de palavras a fim de levar o leitor a compreender um fato sob outra perspectiva, de maneira mais reflexiva e profunda. Na ironia, diz-se algo que o contexto nega, intencionalmente, gerando-se uma crítica ou um deboche. No caso do título, ao se dizer que Maria era "muito bem paga", há uma ironia porque, na verdade, a moça vivia sob um situação de opressão: não podia ter opinião, não podia olhar de cabeça erguida, não podia conversar com os membros da família. Logo, à ideia de "muito bem paga", o que pode sugerir uma situação confortável e de valorização na estrutura da casa, opõe-se a opressão experimentada pela personagem.


2 - Como já discutimos, as escolhas lexicais, isto é, a escolha das palavras não é em vão, em literatura. Quando escolhemos um vocábulo, e, portanto, silenciamos outros que poderiam ser usados no lugar, tal silenciamento apresenta uma significação. Considerando os termos em destaque, podemos afirmar que Maria vivia em uma situação opressiva e de servilidade, já que caminhava 'em silêncio', falava com 'voz baixa' e 'hesitava' diante de Bruno, que, embora fosse uma criança, era também seu patrão, logo, a ele devia 'reverência', precisando chamá-lo de 'senhor'.


3 - Não aprendemos os verbos apenas para saber conjugá-los adequadamente. A depender do tempo, do modo e do aspecto em que encontram-se flexionadas, as formas verbais produzem diferentes efeitos de sentido no texto. No caso do trecho, as formas em destaque apontam para uma ideia de hipótese, suposição: apesar de Maria trabalhar há muito tempo com a família, Bruno quase nada sabia sobre ela, precisando imaginar, supor quem seria a personagem como ser humano, e não como uma empregada que devia olhar para baixo e ficar sempre em silêncio.


4 - 

a) Maria afirma que o pai de Bruno era um homem bom porque a acolheu em sua casa, dando-lhe emprego e alimentação, além de pagar pelo tratamento médico de sua mãe e, posteriormente, pelo funeral.

b) Resposta pessoal. Entretanto, podemos afirmar que há, pela fala de Maria, uma quebra de expectativa quanto à figura do pai de Bruno, até então descrito como um homem autoritário e frio.


5 - Resposta pessoal. Contudo, podemos perceber, entre ambos, um mesmo sentimento de fragilidade diante do que estavam vivendo na casa, sentimento esse que humaniza a personagem, tão sempre descrita como alguém que apenas cumpria obrigações, como se fosse uma espécie de máquina.

Agora, vou abrir o fórum de discussão sobre as opiniões de vocês acerca da situação das trabalhadoras domésticas no Brasil em tempos de pandemia. Será que as relações sociais e de trabalho mudaram da época do livro para cá? Quais são as diferenças entre aquela realidade e a nossa? Vamos refletir juntos e discutir!

Grande abraço!

Saudades.

Prof. Tiago





sábado, 8 de agosto de 2020

CAPÍTULO 6 - "A CRIADA MUITO BEM PAGA"

Querid@s, boa tarde!

Espero que tenham aproveitado as reflexões sobre o capítulo 5, que postei aqui ontem. Hoje, trataremos do capítulo 6, no qual conhecemos melhor Maria, a empregada da casa de Bruno. Tal personagem é muito importante para a narrativa, pois, por meio dela, faz-se uma crítica às relações de trabalho na época e também se conhecem melhor os outros personagens, principalmente o pai de Bruno. Vamos às questões?


1 - Considerando o contexto maior do capítulo, pode-se afirmar que há, no título, uma ironia, isto é, o que é dito representa o contrário daquilo que se diz, gerando uma reflexão crítica. Explique essa ironia.


2 - Releia:

"Ela [Maria] hesitou por um instante quando o viu [Bruno] ali deitado, mas depois fez uma reverência com a cabeça e caminhou em silêncio até o guarda-roupa.

[...]

'Senhor Bruno', disse Maria em voz baixa, separando as camisas das calças e das roupas de baixo e guardando tudo em gavetas e prateleiras separadas." (p. 55)

O que as expressões em destaque revelam sobre o perfil psicológico e social de Maria dentro da casa e da família?


3 - Observa-se, no trecho abaixo, uma espécie de costura entre a voz de Bruno e do narrador acerca de Maria:

"Mas ao pensar no assunto, como fazia agora, era obrigado a admitir que deveria haver mais na vida dela, além de servir a ele e à sua família. Ela devia ter pensamentos na cabeça, assim como ele. Devia haver coisas das quais ela sentia falta, amigos que gostaria de rever, assim como ele. E devia ter chorado toda noite até dormir, como teriam feito meninos bem menos corajosos do que ele. Bruno notou que ela era até bonita, o que provou nele uma sensação engraçada." (p. 58)

O que as formas verbais em destaque revelam sobre a relação de Bruno com Maria?


4 - Interpelada por Bruno acerca do perfil autoritário do pai, Maria provoca uma ruptura na expectativa do menino e do próprio leitor, afirmando: "'Porque o seu pai é um bom homem', disse Maria. 'Um homem muito bom. Ele cuida de todos nós'." (p. 57)

a) Por que Maria afirma isso?

b) Como essa afirmação afetou você como leitor em relação à percepção do pai de Bruno? Mudou algo na sua visão?


5 -   Ao final do capítulo, os olhos de Bruno e Maria se encontram em choro, provocando, de algum modo, uma quebra na hierarquia entre o 'patrão' e a 'empregada'. Com base na leitura do capítulo, o que você considera haver em comum entre os dois personagens? Explique.


6 - Em 2015, viveu-se um momento importante na história do Brasil, com a aprovação pelo congresso da chamada 'PEC das domésticas', isto é, uma emenda constitucional que passou a garantir direitos trabalhistas básicos às trabalhadoras domésticas, como FGTS, Férias, 13º salário, entre outros. Tal aprovação, no entanto, causou polêmica na sociedade, uma vez que determinados grupos sociais criticaram a conquista, sob a justificativa de que o trabalho doméstico é uma função menor e, por isso, deveria continuar na informalidade.

Com a pandemia, observamos que, apesar dos direitos conquistados, as trabalhadoras domésticas continuam em situação de vulnerabilidade, como mostra pesquisa realizada pela Universidade Federal da Bahia acerca do modo como a pandemia de COVID-19 afetou essa categoria profissional:

"As empregadas domésticas brasileiras estão muito vulneráveis durante a crise pandêmica. Segundo Nota Técnica produzida pelo Dieese com base nos dados da PNAD-C, do total das trabalhadoras domésticas no Brasil, somente 27% possuía carteira de trabalho assinada em 2018, o que as coloca em uma situação de grande suscetibilidade à perda do emprego sem garantia a direitos trabalhistas. Essas trabalhadoras recebiam em 2018 uma remuneração média de R$858,42, o que equivale a 90% do salário mínimo da época. Essa remuneração, portanto, não as permite fazer uma poupança, situação que se agrava considerando que 45% das domésticas eram chefes de domicílio. Além disso, a média de idade das domésticas brasileiras é alta, em torno de 46,5% possuía mais de 45 anos, o que as coloca em situação de maior risco ante a doença."

Fonte: http://abet-trabalho.org.br/entre-a-perda-do-emprego-e-o-risco-de-contaminacao-trabalhadoras-domesticas-remuneradas-e-a-pandemia-de-covid-19/


O que você pensa sobre esse assunto? Redija um parágrafo de mais ou menos 10 linhas em que você dê sua opinião sobre o tema. Depois, postarei aqui as reflexões de cada um, para que possamos criar um fórum de discussão.


Grande abraço e até sexta que vem!

Com saudades,

Prof. Tiago


Comparando Livro Para Filme: O Menino no Pijama Listrado



sexta-feira, 7 de agosto de 2020

BANDEIRAS POR UM MUNDO MELHOR

 Querid@s, bom dia novamente!

Lindas as produções de vocês! Sobretudo pelo que elas representam! Tenhamos esperanças de que nosso futuro seja mais bonito, mais justo e mais humano! As histórias ruins não podem ser esquecidas justamente por isso, para que possamos transformá-las em algo melhor! A literatura, o cinema, a arte, nesse sentido, assumem grande importância: de preservar memórias e nos fazer pensar nessas memórias - nem sempre positivas - de modo mais crítico e profundo, para conseguirmos ressignificá-las.

Seguem os objetos artísticos de vocês! Comentem aqui as produções uns dos outros! A leitura compartilhada com o outro é muito importante para enriquecer a nossa, individual!


Gabrielle - T 606


Júlio - T 606


Victor - T 604


Victória - T 602



Pietra - T 606



Manuela - T 604



Grande abraço!

Saudades!

Prof. Tiago

COMENTÁRIOS - CAPÍTULO 5, "PROIBIDO ENTRAR EM TODOS OS MOMENTOS SEM EXCEÇÃO".

 Querid@s, bom dia!

Como vocês estão? Espero que bem!

Seguem, abaixo, meus comentários sobre as questões de leitura propostas acerca do capítulo 5! Em seguida, vou postar novas questões e as atividades que vocês me mandaram por e-mail.


1 - 

a) Era proibido entrar no escritório do pai 'sem exceção' porque ali era seu local de trabalho, um trabalho sobre o qual a própria família conhecida pouco. Como observaremos mais adiante, tal trabalho obedecia a princípios éticos absolutamente questionáveis; se a família tivesse conhecimento, isso poderia implicar um abalo, uma ruptura nas relações entre pai, mãe e filhos, o que acaba acontecendo depois.

b) Como já discutimos aqui, em literatura, nada é em vão. As escolhas linguísticas dizem muito mais do que parecem querer dizer. Assim, as letras maiúsculas buscam enfatizar o conteúdo da frase, reforçando a ideia de que não se podia entrar no escritório do pai em nenhuma hipótese, como se as letras acabassem funcionando como protetores do espaço, como "soldados".


2 - No livro, o Fúria representa simbolicamente Adolf Hitler, presidente nazista da Alemanha durante a 2ª Guerra Mundial e responsável pelo Holocausto, que dizimou aproximadamente 6 milhões de pessoas, dentre elas judeus, ciganos, opositores políticos do regime nazista. "Fúria", em português, significa raiva muito intensa, desmedida, logo, a escolha do nome é coerente, pois o ódio ao outro foi o sentimento que sustentou as ações de Hitler.


3 - A diferença principal entre os dois trens está nas condições sociais e estruturais de cada um: o de Bruno transporta, com conforto, pessoas como as que constituem sua família: alemães, de 'raça pura', 'ariana', como diziam os nazistas. Já o outro trem transporta os alvos do Holocausto para os campos de concentração, em condições desumanas. A denúncia está, pois, no sentido da discriminação, do racismo e do genocídio praticado pela ideologia nazista.


4 - Os adjetivos 'potente' e 'pesados' revelam um perfil autoritário do pai de Bruno: sua voz, 'potente', e seus passos, 'pesados', acabavam por silenciar outras vozes e outras formas de caminhar e pensar.


5 - 

a) Respostas individuais, a partir da pesquisa de cada um/a.

b) "Aquelas pessoas" eram as vítimas do nazismo, isto é, judeus, ciganos, opositores políticos, dentre os tantos outros que totalizaram, aproximadamente, seis milhões de pessoas.

c) Respostas individuais. Entretanto, a última cena do livro já nos ajuda a refletir bastante sobre isso, não é? Quem chegou lá já sabe.


6 - 

a) As ideologias dos dois são opostas: Adolf Hitler foi o responsável pelo Holocausto, que pregava a defesa da raça ariana e o ódio a quem não correspondia ao padrão de ser humano concebido pela ideologia nazista. O personagem interpretado por Chaplin, por sua vez, prega um mundo democrático, em que todos e todas sejam respeitados em suas diferenças.

b) A bandeira nazista como a conhecemos tinha por objetivo representar a supremacia dos 'alemães puros', a 'raça ariana' sobre aqueles e aquelas considerados impuros do ponto de vista do nazismo. Entretanto, a suástica, imagem central da bandeira, apresenta um histórico bem diverso. Para conhecer um pouco mais sobre o símbolo, vale a pena ler este pequeno texto: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/suastica.htm.

c) Tarefa individual.


Agora, vou comentar as respostas de vocês e postar as imagens que produziram!

Depois, postarei novas questões de leitura!


Grande e saudoso abraço!

Prof. Tiago

Charles Chaplin, em O Grande Ditador (1940)

Despedida - por enquanto!

Queridos e queridas alunas, boa noite! Espero que estejam bem!  Perdão por voltar aqui somente agora, mas tive problemas de saúde na família...